
Podia lá ter ficado a noite toda que até ficava melhor, chovia lá fora e dentro do Teatro todos fervemos de emoção. Claro que não foi como na Festa do Avante, para ser franco até foi bem melhor!
Destaco a simplicidade do Palco que acaba por dar ênfase ao que é mais importante: os músicos. As tonalidades apresentadas ao longo do espectáculo não tiveram nada de extraordinário, apenas foram absolutamente eficazes naquilo que se pretendia, tornar os músicos visíveis no alto do seu Olimpo majestoso, eles que me parecem humanos do mais simples que há!
A Maria Antónia Mendes conseguiu exceder-se, ela que tem a melhor voz de Portugal, doce, tão doce a voz dela, as palavras que ela canta assentam-lhe tão bem e nem é por serem as letras tão boas ou diferentes de tudo o que se faz neste país.
E já nem falo dos dois poemas do José Luís Peixoto alucinadamente belos naquele grupo de quatro seres humanos que amam de verdade a música, «Todo o amor do mundo não foi suficiente» (um clássico intemporal... daqui a muitos anos todos o concordarão, espero apenas que não sejam muitos, porque A Naifa merece todo o apoio e no presente!) e a «Música» desmedidamente.
Ainda por lá continuam o «Monotone» e a «Metereológica» (os dias nem andam muito bonitos mas se eu não fornico...), as «Calças Vermelhas» e o para lá de sublime «Porque me traíste tanto», sem falar no 'hit' «Señoritas», ou no solo de bateria de Paulo Martins em «A Verdade apanha-se com enganos» em que o público algo tímido (depois da Festa do Avante são todos tímidos...) lá se dignou a acompanhar o verso que dá o nome à música.
Do inolvidável novo álbum nem sei o que destacar, ainda estou deslumbrado e preciso de ir de novo ver A Naifa e entranhar com a mesma força e intensidade com que tenho entranhado as «Canções...» e os «3 minutos...».
De qualquer das formas «um feitio de rainha», «o ferro de engomar», «esta depressão que me anima» (um verdadeiro achado a letra), mas é tudo demasiado bom para destacar apenas uma ou outra canção.
Depois há as versões assombrosas d'A Naifa... desta vez fomos presenteados com a «Subida aos Céus» original dos Três Tristes Tigres. Que se pode falar de uma versão destas, para além de que prefiro a versão ao original (embora os registos sejam profundamente diferentes), adorei o tom épico com que se foi tocando a canção. A Naifa tem esse dom de nos deixar sempre surpreendidos e sem dúvida que criaram uma nova canção.
Para o final ficou o tradicional «A desfolhada» cantado majestosamente pela Mitó, «por todo o lado» como a apresentou e bem o enorme e dos nomes mais importantes da música portuguesa, João Aguardela. Mas seria injusto esquecer-me de Luís Varatojo, outro génio, outra referência a tocar guitarra portuguesa, e o enérgico, alegre e sempre bem disposto Paulo Martins.
Poderia eu apropriar-me do verso emblemático de Adília Lopes e adaptá-lo: uma noite tão bonita e eu não fornico... mas acreditem é um assombro assistir a um concerto d'A Naifa e eu estive lá, na primeira fila, no lugar 1... pequenos pormenores sem importância como ter sido o 6º concerto que vi deles!
Parabéns aos elementos da banda, mas também a todos os que estão envolvidos na digressão!
Este é um exemplo prático do que deve ser feito no presente, com alma, com garra e sem medo de arriscar o que não vejo mais ninguém fazer com esta qualidade!




1 comentários:
Tanta cultura e diversão por este seu blog.
Para matar saudades de Lisboa,e saber das novidades...basta dar um passeio por estas belas páginas.
Maravilha!
Beijos.
Enviar um comentário